Inaugurado centro de dados da Raxio Moçambique em Beluluane
O país conta, desde o
dia 27 de Maio de 2024, com um centro de dados de raiz, com capacidade para
conectar provedores de serviços ligados à internet, quer nacionais quer
internacionais. O investimento de cerca de 20 milhões de dólares norte-americanos
é da Raxio Moçambique.
Com o simples corte de
fita, feito pelo governador da Província de Maputo, Manuel Tule, nascia, no Parque
Industrial de Beluluane, Município da Matola-Rio, uma infra-estrutura de
dimensão internacional que compromete-se a ajudar o país na transformação digital.
Trata-se de um centro de
dados com capacidade para agregar provedores de conectividade de fibra, e não
só, sejam eles nacionais sejam internacionais, que queiram prestar serviços no
país, tanto para o sector público como para o privado.
Na fase de construção, o
empreendimento empregou 200 trabalhadores, na fase de implementação da
tecnologia, 80, e hoje, actualmente em operação, 17 trabalhadores.
“Um centro de dados como este agrega conectividade. Todos
os provedores de conectividade de fibra do país e também de fora do país que
queiram prestar serviços cá, eles trazem os seus serviços para aqui, para
poderem servir o empresariado local, para poder servir o sector público e, com
isso, dinamizam o ecossistema digital. Neste centro de dados, também temos
provedores de cloud e virtualização, que são serviços cruciais nos dias de hoje
para o sector público, assim como para o sector privado, que nos permite
realizar aquilo que é a ambição de soberania dos dados que o Governo tanto tem
puxado nos últimos anos, que é garantir que nós processamos os nossos dados
internamente”, disse o Director-Geral da empresa, Emídio Amadebai.
De acordo com a direcção
da empresa, a Raxio pode ajudar o mercado a trazer para o país serviços que
habitualmente vêm de fora, como o da TikTok, Microsoft, Google.
“Nós acedemos a esses serviços fora do país tipicamente, e, porque nós
vamos aceder lá fora, o custo de internet é muito alto, e nós vimos que houve
uma greve há pouco tempo de estudantes que reclamavam de que o custo de internet
em Moçambique é alto, e é importante ter aqui a contextualização, porque é que
esse custo é alto? É que nós não temos infra-estruturas deste calibre no nosso
país que permita operadores grandes como a Microsoft, Amazon virem para cá e
colocarem os seus stacks, ou seja, a sua infra-estrutura como deve ser, porque
eles não podem fazer isso cá, eles fazem nos países vizinhos onde há
infra-estruturas deste calibre. E quando eles fazem lá, nós temos de ir buscar
serviços lá e temos de pagar muito mais caro para ter esses serviços. Se temos
os serviços cá, com provedores de cloud na Raxio, com provedores de
conectividade na Raxio, então, todos esses serviços acabam ficando mais
acessíveis”, referiu o Director-Geral da empresa.
Coube ao CEO da Raxio
anunciar, na data supracitada, o início das actividades da empresa no país. Na
ocasião, agradeceu o apoio dos parceiros e falou da quota da empresa em África.
“A Raxio é hoje o operador de centros de dados com maior presença
geográfica em África com data centers em vários estágios de operação e
desenvolvimento em sete países: Uganda, Etiópia, Moçambique, Costa de Marfim,
Congo, Angola e Tanzânia. O nosso lançamento aqui é o segundo de uma série de
lançamento em 2024. É um grande ano para nós. Não é uma coincidência, é fruto do
trabalho que temos estado a fazer durante os últimos cinco anos e nem por isso
tira a dificuldade e a complexidade. Em 2024, vamos abrir além dos dois que já
temos abertos, este é o da Etiópia, na Costa de Marfim, em Congo e Angola”,
referiu o CEO da Raxio.
O Governador da
Província de Maputo não só fez o corte simbólico da fita, mas também falou da
importância da infra-estrutura para o país e o mundo.
“O estabelecimento desta importante instalação de data center, a
primeira deste calibre, e a mais avançada no país, marca um passo significativo
na evolução de Moçambique rumo à transformação digital”, disse o governador
no seu discurso de ocasião.
Por seu turno, alguns
presentes na cerimónia destacaram a qualidade que poderá ser acrescida pelo
centro de dados ao mercado global.
“Este investimento ajuda a pessoas como eu, ajuda o país, em geral, a
desenvolver a área de tecnologia e telecomunicações, a de providência de
internet e desenvolvimento do país, porque sem centro de dados não há lugar
para o país manter os dados dentro do país e isso é uma coisa muito importante”,
disse Pedro Rabaçal, consultor da área de tecnologias.
Por seu turno, Alexandre
Nheve, Director-Geral da Seacom, os cabos submarinos que ligarão a Raxio
poderão reduzir o custo da internet para a comunidade.
“Quando encontramos infra-estruturas como estas da Raxio, faz com que
vários parceiros possam encontrar um local fértil para poderem acomodar as suas
infra-estruturas e assegurar, acima de tudo, que a qualidade da rede seja uma
realidade”, avançou Nheve.
Estiveram presentes na cerimónia representantes de entidades públicas e privadas, a administradora da Matola-Rio, diplomatas, e outras personalidades.
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